Partos /Nascimentos Sorocaba - SP

VÍDEO - Parto Humanizado Hospitalar - Ana Flora

Nada mais gratificante do que presenciar esse nascimento!
O parto é um momento de muitos sentimentos, de entrega, medo do desconhecido, esperança, força, superação e transformação.
A gente torce e vibra junto...!!!

------------- RELATO DE PARTO ---------------

Meu filho está com quase 11 meses e eu ainda não escrevi o meu relato do parto.
Já que relato de parto tem que ser textão, o negócio vai ser “senta que la vem história”! Vou começar falando que eu sempre achei que seria mãe, mas não sabia quando. Minha mãe me teve quando ela tinha 40 anos, então eu tinha a figura da mãe como uma mulher muito mais velha, ela não brincava comigo, porque sempre estava ocupada com os afazeres da casa, pelo menos é assim que eu me lembro. Escolhi uma profissão que é difícil de conseguir seu lugar ao sol. Nessa vida contemporânea que temos, eu pensava que precisava de estabilidade profissional para engravidar e a minha estava demorando para chegar. Pedro Henrique Pereira Rebello, meu namorido pedia filho, eu falava que ele poderia engravidar já que ele queria. Passei por uma depressão profunda e longa. Tinha arrumado um emprego que eu gostava do que eu fazia, mas nessa época, pensava que era quase irresponsabilidade colocar uma criança nesse mundo insano! Eu não estava pronta, não estava preparada, na verdade. Quando fui mandada embora desde emprego na crise de 2015, usei o dinheiro da rescisão para fazer um curso de autoconhecimento. Foi este curso que me curou da depressão e me fez pensar diferente. Tenho sim que por uma criança nesse mundo e prepara-lo para melhorar a sociedade, porque os doidos estão ai se reproduzindo e deixando sua hereditariedade pro mundo.
Então, resolvemos engravidar. Tá bom, então vou tomar ácido fólico por 3 meses antes de começarmos a tentar mesmo. No oitavo comprimido, descobri que estava grávida. Brinco falando que meu filho já estava esperando eu querer, e veio antes que eu mudasse de ideia. Várias amigas mães me falaram de parto humanizado, mandaram eu assistir o renascimento do parto. O parto natural, aleitamento exclusivo até os 6 meses, amamentação até os 2 anos. Isso tudo sempre foi minha meta, nunca cogitei leite artificial, cesaria, ou qualquer outro método não natural para o meu filho. Busquei informação no Ishtar da minha cidade e comecei o pré-natal com um médico da linha humanizada.
Havia a dúvida se iríamos pagar o parto ou se iríamos fazer com plantonista. É muito difícil, talvez impossível, um médico que faça parto natural pelo plano de saúde. Ou é o plantonista ou particular mesmo. Resolvemos fazer particular, era a garantia de que não sofreria violência obstétrica, q minhas vontades seriam respeitadas, sem falar que teria a equipe que me acompanhou a gravidez toda.
O Ishtar de Sorocaba acontece no Bem Gerar, uma casa de apoio a gestantes, tentantes e mães, cuja dona, senhora Carla Arruda, fez faculdade na mesma cidade que eu, na mesma época. Como a energia que rege o universo é sábia demais, não nos colocou em contato naquela época. Talvez não fossemos amigas por causa da rivalidade que existe entre as duas faculdades, ainda mais para mim que jogava pela faculdade. Quando a conheci aqui em Sorocaba, já grávida, mais amadurecida, seus olhos azuis me conquistaram no primeiro olhar. Ali, eu já a quis como doula! Fiz um pré-natal coletivo no Bem Gerar, no qual tínhamos aulas a cada 15, cada uma com um tema relacionado à gestação e maternidade. Depois de umas aulas do curso, eu e Pedro queríamos a Carla como doula, e para nossa felicidade, ela iria voltar a trabalhar com isso. Ela aceitou! No começo do terceiro trimestre, definimos que faríamos o parto particular também.
Tive uma gravidez calma até, com poucos enjoos no começo, e um final desconfortável, principalmente porque engordei bastante, 23kgs. Estava muito magra qdo engravidei, isso amenizou um pouco, mas meu medico quase me esganou quando engordei 7kg em um único mês, logo no começo da gravidez! Era dezembro, fazia um calor escaldante de Sorocaba e eu AMO sorvete. Era 1 pote a cada 2 dias! Huahauahau
Uma única vez, lá pela 30ª semana, achei que o bebe mexeu bem pouco durante um dia e fomos para o hospital fazer cardiotoco. Era só impressão minha, estava tudo bem. Meu marido ficou bravo porque perdeu o jogo de futebol dele me acompanhando no hospital! Hahaha
A DPP era 07/05/17, deu dia 07 e nada de Nicolas querer vir ao mundo, esses últimos dias de espera duram séculos! Meu médico, Danylo Honorato, espera até 41+5 para começar uma indução e após 40 semanas era para ir dia sim, dia não ao hospital fazer acompanhamento. Fui numa segunda, tudo certo, fui embora. Não fiz exame de toque este dia. Fui na quarta, tudo certo, fiz exame de toque, estava com 3cm de dilatação e havia perdido um pouco do tampão. O toque me deu uma cólica de noite. Voltei na sexta, 4cm e de volta pra casa. Comecei a ter cólicas de novo, achava eu que era do exame de toque de novo. Até falei pra Carla que poderia ir dormir, porque não seria aquela noite.
Por volta as 00h30, fui dormir só q a dor da cólica aumentou. Fui pro chuveiro com a bola de pilates e fiquei uns 40 minutos la. (com dor consciência pelo desperdício de agua). A dor começou a irradiar para as costas. Lembrei que isso era um dos sintomas de trabalho de parto. Saí do chuveiro e falamos com a Carla pelo whats. Ela falou pra monitorarmos pelo aplicativo. Você estuda, le, vai em palestras, conversa com amigas que já tiveram e na hora, parece que esquece tudo e vira aquela montanha russa de emoções! Eu esperava que minhas contrações fossem igual ao gráfico que vi nas palestras. Que nada! Estavam super desreguladas, vindo com pouca duração e quase sem intervalo entre elas. O aplicativo piscava loucamente, VÁ PARA O HOSPITAL, VÁ PARA O HOSPITAL. Fomos pro hospital. Andar de carro tendo contrações é nada agradável! Chegamos no hospital por volta das 4h da manhã (na verdade, não tenho precisão deste horário). Durante o pré natal, nas conversas com a doula e com o obstetra, eu falei que não queria anestesia, queria o parto o mais próximo do natural possível. Disse q eu iria pedir anestesia, mas q não era pra dar. Eu cheguei no hospital pedindo anestesia! Haviam colocado uma pessoa no nosso grupo do whats, eu perguntei com muita fé se era o anestesista. Era a pediatra, Andréa Gouveia, outro anjo que tenho pra me ajudar a cuidar do Nico. Como não havia dormido bem na noite anterior, nem durante o dia e estava muito cansada já, na minha cabeça, eu precisava dormir, descansar um pouco, porque se as contrações já estavam desse jeito no começo, eu não aguentaria a madrugada se eu não dormisse. Escutava muitos relatos de parto que as mães dormiam entre as contrações,e eu queria fazer isso. Ai, como eu queria fazer isso! A Carla chegou no hospital um pouco depois da gente. Ela ficou comigo enquanto Pedro fazia a papelada da internação. A enfermeira fez o exame de toque em mim e disse q eu estava com 9cm de dilatação. Dizem que o pior era entre 7 e 8 cm. Pensei, “bom, o pior já passou, mas essa papelada está demorando muito, meu bebe vai nascer aqui no corredor e eu to de calça ainda”(sabe de nada, inocente). Pedro chegou e subimos pro quarto, comigo ainda pedindo loucamente por anestesia. “Não, vc disse que não queria, disse que ia pedir e não era pra darmos!” e nada de anestesia! Uma hora, o GO disse que não poderia me dar anestesia ali no quarto, que teria que ir pro centro cirúrgico. Pensei: “ estou indo, se quiserem que me sigam! “E as contrações ali, fortes, pouco espaças e curtas. Meu pensamento era: “não estou morrendo, como é possível doer tanto?!?!?” Minha tranquilidade era só porque a todo momento os batimentos do Nico eram monitorados e estava tudo bem com ele. Eu entrei no mundo da partolandia desde o começo, num estrado de transe que parece que sai do corpo, perdi a noção de hora, de sequencia dos acontecimentos, devo ate ter sido grossa com a equipe. Lembro de ver o Pedro olhando no celular. Fiquei puta com aquilo, eu ali parindo o nosso filho, caindo de dor e ele mexendo no celular. Foi só uma olhada fulminante que dei pra ele e ele pegou o celular so pra ligar pra família avisando que nasceu depois. Lembro também de falar para a Carla que, por eu ter jogado contra a faculdade dela, ela já deveria ter cuspido em mim ... hahahaha
Em algum momento, porque não tenho esclarecido uma ordem cronológica do parto, o Danylo me examinou e resolveu fazer um procedimento, passar o colo do útero pela cabeça do Nicolas, pois apesar de estar com dilatação total, o colo estava alto. Minha bolsa não havia estourado por completo e estava entre a cabeça do Nico e o colo do útero impedindo a passagem. Depois desse procedimento, foi quando saiu todo aquele liquido. (se não me engano, foi nessa hora que eu fiz coco também, não me lembro ao certo).
Esse procedimento foi um divisor de águas pra mim! Danylo disse que esse procedimento dói muito, mas pra mim, sei la porque, eu não senti mais dor que as contrações. Depois disso, eu continuava sentindo dores, mas sentia que o parto andava, que havia mudança. Resolvemos aplicar ocitocina para regular as contrações porque continuavam irregulares. Massagem, apertar a bacia, sentar na bola, sentar na banqueta, posições com panos, fazíamos de tudo pra tentar amenizar a dor, mas nada melhorava como o chuveiro. Meu próximo parto será na agua! Agua foi ótimo pra diminuir minha dor! Em certo momento, eu estava em pé, com os cotovelos apoiados na maca, na hora da contração eu agachava. Pudor é algo que você esquece nessa hora, está nem ai pra quem está vendo oque do seu corpo, só pensa em diminuir sua dor. Foi nessa posição que eu sentia o Nicolas descendo pelo canal a cada contração. Que sensação maravilhosa, única e indescritível. Na minha cabeça de mãe de primeira viagem que sabe nada, já estava com medo dele cair de dentro de mim no chão.... hauhauhaua...
Foi nessa hora que dona Carla me chamou para o banheiro, entramos e encostamos a porta. Ela, com toda sua serenidade, compaixão, empatia e mais uma lista enorme de qualidades, olhou com aqueles olhos azuis para mim e disse: “ oque vc está sentindo?” Respondi: “Agora, medo dele cair, porque estou sentindo ele descer.” Ai ela fez um olhar mais meigo ainda e disse: “ ele não vai cair, está tudo bem, nós estamos aqui” Como pode ter tanto amor no coração assim?! Doulas são anjos, ne!? Ela perguntou se eu queria me tocar e sentir como estava. Qdo eu pus a mão em mim, senti a cabeça dele. Já eram quase 9 da manhã e eu estava exausta, tendo câimbra já. Quando eu o senti, pensei “chega! Esse menino vai nascer agora!!!” Pensei so, não externei meu pensamento. Na próxima contração que veio, eu fiz força e Nicolas coroou! Só escuto a Carla gritando “Danylo, corre que está nascendo!” e ela colocou a mão na cabeça dele para segurar. Eu falo que foi pra abençoa-lo! Então entraram correndo no banheiro do quarto, o obstetra, a pediatra, o Pedro e a fotografa! Super lotação no banheiro! Hahaha...
Eu já não tinha muitas forças para fica em pé e ainda o medico pedia para eu agachar. COMO? Com que pernas? Pedro me segurava do jeito que dava! Nicolas nasceu em menos de 2 minutos de expulsivo, eu acho, super rápido, por que vc junta forças sei la de onde pra terminar aquilo naquele momento! Nasceu com 52,5cm, 4,090kg e a mão na cabeça para ajudar. Veio direto para o meu colo, mamou logo no primeiro minuto de vida, teve apgar9/10, passou mais de 6h em contato pele a pele comigo e com o Pedro, não foi aspirado nem pingado colírio. Eu tive laceração, já nem lembro se grau 1 ou 2, mas foi leve, dei 3 pontinhos. Como a laceração foi pequena, em vista disso tudo (tempo de expulsivo curto, tamanho do gigantinho e a mao na cabeça), forçou também em direção a uretra, oque me causou incontinência urinaria por 1 semana ainda depois. Como eu não conseguia relaxar nas contrações, eu fiz força demais, oque me deu hemorroidas. Nunca havia tido isso na vida. Meu Deus, que coisa horrorosa!!! Na verdade, eram 3, uma era tão grande que escondia as outras 2. Só descobri que eram 3 quando a maior foi sumindo. Outra coisa que doeu muito depois foi o meu cóccix que se deslocou para trás para dar passagem. Isso não me deixou sentar direito por mais de mês! Passei uma semana nem mal poder andar, mas com meu Nico no colo. Nicolas nasceu num sábado, véspera de dia das mães e meu único pedido antes era passar o dia das mães com ele nos braços, não dentro da barriga.
Obrigada filho por me mostrar nossa grande capacidade de amar!